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O Festival Brasileiro da Cerveja, um dos maiores e mais tradicionais eventos do setor cervejeiro nacional, está enfrentando uma disputa inesperada. Em 2025, o evento de Blumenau será simultâneo com a primeira edição do Festival Brasileiro da Cerveja em Balneário Camboriú, o que tem gerado polêmica e revelado uma divisão profunda no setor cervejeiro de Santa Catarina. A confusão vai além da simples duplicação de eventos, envolvendo uma ruptura política e institucional entre a Prefeitura de Blumenau e a Ablutec - Associação Blumenauense de Turismo, Eventos e Cultura, responsável pela organização do festival nos últimos anos.
Blumenau, conhecida como a "capital nacional da cerveja", realiza o festival desde 2005, com grande sucesso, sendo um marco para o setor de cervejas artesanais no Brasil. Em 2021, a prefeitura retirou o controle do evento da Ablutec, alegando dívidas da associação com o Parque Vila Germânica, onde o evento é realizado. A decisão gerou tensão, já que a prefeitura assumiu a organização com apoio de uma nova entidade, a Associação Capital Brasileira da Cerveja, e trouxe de volta a Escola Superior de Cerveja e Malte para coordenar o concurso.
Enquanto isso, a Ablutec, insatisfeita com a mudança, resolveu organizar o seu próprio festival em Balneário Camboriú, com o mesmo nome, para aproveitar o mercado crescente de cervejas artesanais na região. A movimentação gerou um “imbroglio” no setor, com acusações de dívidas não pagas e promessas não cumpridas de parte a parte.
O mais curioso é que, apesar da rivalidade entre os dois festivais, ambos mantêm o nome “Festival Brasileiro da Cerveja” e organizam seus eventos no mesmo período (12 a 15 de março). A confusão é amplificada pelo fato de que o nome do festival pertence à Prefeitura de Blumenau desde 2010, mas a Ablutec alega que, segundo o INPI, nomes com expressões comuns são de domínio público. Ou seja, a disputa pelo nome pode estar longe de ser resolvida.
Alguns jurados internacionais também se mostraram surpresos e desconfortáveis com a situação, como foi o caso de um sommelier europeu que aceitou ser jurado em Balneário Camboriú sem saber da disputa entre os eventos.
Para os consumidores, essa disputa pode parecer apenas uma "expansão" do evento, já que agora há mais uma opção para conhecer as cervejas artesanais de todo o Brasil. No entanto, a rivalidade tem afetado diretamente os participantes do setor. O evento de Blumenau já anunciou novidades, como uma maior variedade de cervejarias e a possibilidade de degustação livre, no estilo open bar, ao preço de R$ 299 por dia. O festival contará com mais de 200 cervejarias e atrações musicais para atrair o público.
Já o evento de Balneário Camboriú promete agitar com cerca de 100 jurados e mais de 3.400 amostras, além de premiações especiais para personalidades do setor. A edição contará com shows de destaque, como Gabriel o Pensador, e ingressos variando entre R$ 20 e R$ 50.
O imbróglio entre as duas organizações tem gerado divisões internas e pode prejudicar a imagem do setor como um todo, um mercado que, apesar de crescer de forma consistente, ainda precisa de mais união e apoio mútuo.
Enquanto o Festival Brasileiro da Cerveja de Blumenau segue como um dos maiores do país, a disputa entre os organizadores e a confusão gerada pelos eventos homônimos colocam em dúvida a sustentabilidade de um modelo que não tem espaço para divisões. A indústria cervejeira precisa estar atenta a essas disputas para evitar que questões administrativas e políticas comprometam o futuro de um dos setores mais inovadores e promissores da economia nacional.
Fonte:
Folha de S.Paulo